Por que os cães e gatos bebés precisam de uma série de vacinas e de quantas precisam?
Quando um gatinho ou cachorrinho nasce, o seu sistema imunitário, isto é, as defesas do organismo, ainda estão imaturas; o bebé está desprotegido contra possíveis contágios. Felizmente, há um sistema de proteção natural. A mãe produz um tipo de leite especial nos primeiros dias após o parto. Este leite chama-se colostro e é rico em todos os anticorpos que a mãe tem para oferecer. À medida que os bebés bebem esse leite, adquirem a imunidade da mãe. Entretanto, o leite perde estas propriedades protectoras e no bebé ocorre uma alteração drástica: o intestino perde a capacidade de absorver os anticorpos do colostro. Esses dois primeiros dias são portanto críticos para determinar que tipo de imunidade o bebé receberá até que o seu sistema imunitário adquira a capacidade de se defender a si próprio.
A duração dos anticorpos maternos num determinado cachorro ou gatinho é totalmente individual. Pode depender da ordem de nascimento dos bebés, de como eles mamaram e de vários outros fatores. Além de que os anticorpos maternos contra diferentes doenças desaparecem após tempos diferentes. No entanto sabe-se que por volta das 14 a 20 semanas de idade já não há anticorpos maternos presentes e que o bebé terá de ser capaz de viver unicamente com a ajuda do seu próprio sistema imunitário.
Enquanto a imunidade materna estiver activa no sistema do bebé, todas as vacinas administradas serão inativadas. As vacinas não são capazes de se “manter activas” até que os anticorpos maternos tenham diminuído o suficiente. É por esta razão que cachorros e gatinhos recebem uma série de vacinas que terminam no momento em que sabemos que o seu sistema imunitário deve ser capaz de responder.
Poderíamos simplesmente esperar até que o bebé tivesse idade suficiente para responder definitivamente?
Fazemos isso com a vacinação antirrábica, mas com as restantes, devido a vários factores, ambientais, de transmissão, intrínsecos de cada animal, isso poderia deixar uma grande janela de vulnerabilidade se os anticorpos maternos diminuírem mais cedo ou nem sequer estiverem presentes (caso por exemplo não tenham mamado, a mãe os tenha rejeitado, ou a mãe não tivesse um sistema imunitário competente, etc). Para dar aos bebês melhores condições de responderem activamente à vacinação, devemos vaciná-los intermitentemente (geralmente a cada 2 a 4 semanas) durante esse período, na esperança de obter uma maior proteção precoce.
E em animais adultos que estão a fazer as primeiras vacinas?
Quando uma vacina contra uma doença específica é iniciada pela primeira vez, mesmo num animal adulto, é melhor dar pelo menos duas vacinas. Isso ocorre porque a segunda vacinação produzirá uma resposta muito maior se tiver lugar após uma vacina administrada 2 a 4 semanas antes.
#colostro